Habilidades sociais na infância
Muitas vezes falamos sobre habilidades sociais, que podem e devem ser desenvolvidas na infância. Mas o que são habilidades sociais? Porque são importantes?
Para um bom relacionamento com outras crianças e adultos, as crianças precisam aprender habilidades sociais. Inicialmente a socialização é função dos pais e cuidadores, e em um segundo momento, essa responsabilidade é dividida com a escola. E o aprendizado das habilidades sociais auxilia nesse processo de socialização, pois são comportamentos que ocorrem na interação social e favorecem os relacionamentos saudáveis.
O termo habilidades sociais é atribuído a diferentes classes de comportamentos sociais do repertório de um indivíduo, que contribuem para a competência social. Essa competência é denominada como a capacidade de articular pensamentos, sentimentos e ações em função de objetivos pessoais e de demandas da situação e da cultura, gerando consequências positivas para o indivíduo e para as demais pessoas por meio de um relacionamento saudável e produtivo (Del Prette & Del Prette, 2005).
Podemos pensar nas habilidades sociais como um programa de promoção de saúde e bem-estar, através de estratégias educativas e terapêuticas, pois ao serem desenvolvidas, o repertório de habilidades sociais será mais amplo, promovendo assim, novas aquisições. Melhorando a frequência, a fluência e a funcionalidade das habilidades sociais no repertório da criança.
Muitos estudos mostram que o desenvolvimento das habilidades sociais na infância contribui para um funcionamento adaptativo, onde contribui para a independência pessoal e responsabilidade social, contribui para relações mais harmoniosas entre colegas e adultos.
Consideramos ao trabalhar com as habilidades sociais sete classes de habilidades, são elas: habilidades de autocontrole e expressividade emocional;habilidades empáticas;habilidades de civilidade;habilidades assertivas;habilidades de fazer amizades;habilidades sociais acadêmicas;e habilidades de solução de problemas interpessoais.
Elas são interdependentes e complementares. Nenhuma dessas habilidades devem ser negligenciadas em treinamentos de desenvolvimento pessoal de caráter terapêutico ou educacional, pois contemplam as principais demandas interpessoais da infância.

A primeira habilidade que falaremos é a habilidade de autocontrole e expressividade emocional, que é quando a criança lida com suas emoções de forma adequada. Os comportamentos esperados para crianças que apresentam essa habilidade desenvolvida são, por exemplo: reconhecimento de suas emoções e de outras pessoas; expressar emoções positivas e negativas; controlar seu humor e lidar com seus sentimentos, de modo que consiga acalmar-se; tolerar frustação, entre outros.
A segunda são as habilidades empáticas, que é a capacidade de compreender e sentir o que o outro sente em uma situação, e verbalizar essa compreensão, de forma adequada. Ser empático é perceber o que é importante para outras pessoas, percebendo o que o outro está sentindo e se colocar nesse lugar. Exemplos de comportamentos esperados para essa habilidade: prestar atenção e ouvir os outros; oferecer ajuda; compartilhar o que é seu; expressar compreensão pelo sentimento e experiência dos outros; demonstrar respeito às diferenças, entre outros.
A terceira habilidade são as habilidades de civilidade, que são os comportamentos guiados pelas regras de relacionamento valorizadas em determinada cultura. Esses comportamentos são, por exemplo: expressar cortesia; usar locuções como: obrigado, por favor, me desculpe; fazer e aceitar elogios; aguardar a vez para falar; fazer e responder perguntas; cumprimentar pessoas, entre outros.
A quarta são as habilidades assertivas, é uma classe de habilidades sociais de enfrentamento, onde é necessário o controle da ansiedade e regulação da exposição de desejos, emoções e opiniões. A criança é assertiva quando ela consegue expressar o que está sentindo e pensando em uma determinada situação, sem ser passiva e controlando as reações de agressividade. Algumas das principais habilidades assertivas a serem aprendidas na infância: defender os próprios direitos; fazer e recusar pedidos; expressar sentimentos negativos de raiva e desagrado; concordar ou discordar de opiniões; resistir à pressão de colegas, entre outros.
A quinta são as habilidades de fazer amizades, uma habilidade que apresenta grande importância para o desenvolvimento sócio afetivo da criança. Espera-se para essa habilidade que a criança consiga, por exemplo, fazer perguntas pessoais; elogiar e aceitar elogios; sugerir atividades quando está em grupo; iniciar e manter conversas; cumprimentar e apresentar-se, entre outros.
A sexta habilidade são as habilidades sociais acadêmicas, que quando desenvolvidas tem relação positiva com o rendimento escolar. É esperado nessa habilidade que a criança seja capaz de: seguir regras ou instruções orais; tenha autocontrole e espere sua vez para falar; participação em discussões em sala de aula; imitar comportamentos socialmente competentes; observar e prestar atenção; orientar-se para a tarefa, ignorando interrupções de colegas, entre outros.
A sétima e última habilidade são as habilidades de solução de problemas interpessoais, que é quando ocorre um desequilíbrio na relação, onde uma das partes se sente prejudicada pela ação da outra.
Nos primeiros anos de vida da criança é esperado que solicitem ajuda dos pais ou cuidadores para resolução de problemas pessoais. Conforme a criança se desenvolve, é esperado que seu repertório de habilidades seja ampliado, e ela consiga resolver os problemas sem ajuda ou apenas seja necessário para os mais complicados. Pesquisas mostram que o desenvolvimento dessas habilidades estão associadas a uma maior capacidade em lidar com fontes de estresse, na adolescência verifica-se uma melhora da competência social e a diminuição da impulsividade. É um fator protetor dos problemas de agressividade, violência e comportamentos antissociais.
Para a aquisição do repertório comportamental dessas habilidades sociais descritas, realiza-se grupos para treinamento de habilidades sociais, onde profissionais trabalham no grupo diferentes ferramentas que possibilitam a aquisição desse repertório. Entretanto, vale ressaltar que pais, cuidadores e escola, podem estimular a aquisição desse repertório em contextos naturais. O relacionamento entre pares e com os pais são fundamentais para aprendizagem e ampliação das habilidades sociais.